Finalmente meu processo de desalfabetização foi concluído.
Não sei se foi o álcool, o excesso de TikTok ou o uso frequente do Claude, mas aconteceu. Há meses sinto vontade de escrever, estudar, fazer coisas (viver!), mas termino passando meu tempo livre bebendo Orloff, ouvindo podcasts sobre casos criminais e jogando Royal Match - sim, tudo ao mesmo tempo. Ao contrário do professor (e audiodoutorando) Cerginho da Pereira Nunes, não estou aprendendo palavras novas. Há mais de um ano não termino a leitura de um livro e tenho a impressão de que todas as canetas que comprei já devem ter secado. Sei que qualquer adulto funcional tentaria melhorar, buscar ajuda, marcar uma consulta com a psiquiatra, encontrar um trabalho voluntário para fazer no final de semana ou algo assim, mas eu continuo existindo de forma meramente funcional enquanto espero a morte.
Deve ser normal viver assim, certo? Tipo, nem todo mundo vive como uma blogueira de Instagram: viajando, indo a cafés e feiras livres, fazendo DIYs e indo à academia todos os dias. Pessoas normais não fazem essas coisas, né?
Nesse meio tempo, coisas aconteceram. Principalmente no trabalho - que é a única atividade que continuo me obrigando a fazer porque preciso de dinheiro para comprar vodca e moedinhas do Royal Match. Um cara que trabalhava aqui matou alguém, outro roubou dinheiro público, outro tá traindo a esposa (que também trabalha aqui) com uma colega de setor e todo mundo sabe, menos a corna. Eu surtei algumas vezes, mudei de área (apesar de não ter mudado de emprego), peguei ranço absurdo de uma pessoa próxima e aparentemente vou ganhar um aumento por fazer coisas que são minha obrigação (??? me parece incoerente, mas se querem me dar mais dinheiro, quem sou eu para negar?). Um parente me pediu dinheiro emprestado por mensagem no WhatsApp (porque hoje o otário não precisa sair de casa para ser vítima de golpe), uma amiga deu prioridade para um web contatinho em detrimento de mim, troquei o The Sims pelo Paralives e comi um risoto de camarão maravilhoso (penso nele pelo menos uma vez por semana).
Passo muitos dos meus dias remoendo essas coisas. Minha psicóloga, em quem estou dando ghosting há alguns meses, diria que é um pensamento disfuncional e que eu deveria me policiar, usar o pensamento socrático e que "nem tudo o que você pensa é verdade". Entretanto, eu me afundo num poço de rancor e ruminação. Por que essa pessoa fez isso comigo? Como diabos essa pessoa pensa que pode me tratar dessa forma? Por que eu não joguei uma cadeira na cara dessa pessoa logo na primeira vez em que ela passou dos limites? Em qual momento minha vida desandou? Quais decisões eu tomei errado? Será que sou imune ao conhecimento?
Sou a autointitulada presidente da Coitadolândia
(em breve me tornarei a Suprema Ditadora da Coitadolândia, aguardem).
Tenho vontade de estudar e ler. Minha TBR virou uma biblioteca e tem vários cursos online (pagos e gratuitos) que quero fazer, incluindo duas pós-graduações que comprei e nem comecei. Mas não sei como encontrar forças. Também queria voltar a estudar para o concurso que pode me proporcionar um emprego dos sonhos, mas chego em casa tão exausta que só consigo scrollar infinitamente e entorpecer meu cérebro para conseguir dormir. Dia após dia, minha vida se transformou nisso e eu não sei como mudar - sinceramente, também não estou me esforçando muito. É complicado.
Mas, veja pelo lado bom, pelo menos o caso da Morgan Violi foi solucionado pelo FBI.



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