colagens que fiz em 2025

Sou o tipo de pessoa que gosta de fazer arte, mas que nunca faz arte. Muito disso se deve ao fato de que esse é um hobby que demanda tempo, atenção e prática: três coisas que tenho dificuldade em despender. Consumo muito conteúdo sobre o tema: compro cursos, assisto horas de vlogs de arte no YouTube e salvo uma série de tutoriais no Tiktok para "tentar fazer no fim de semana"; tudo com a desculpa de que preciso encontrar inspiração e aprender novas técnicas. Mas produzir arte de fato? Necas de pitibiriba.

No final de outubro do ano passado, a Sarah Dantas ofereceu uma oficina gratuita de colagem e, por um milagre, tentei brincar com a técnica. De um jeito muito porco, sem nenhuma experiência e pouquíssimo conhecimento de softwares de edição de imagem, fiz algumas colagens digitais e gostei muito mais do processo do que do resultado.

Relutei em compartilhar o resultado desse experimento na internet. Primeiro, porque nem tudo precisa ser compartilhado. Segundo, porque sou péssima nisso. Expor uma coisa que você fez para o mundo todo julgar como bem entender já é desconfortável o suficiente, mas fazer isso quando você não confia na qualidade do que está compartilhando é desesperador. Meus níveis de ansiedade não estavam prontos para lidar com isso.

Porém, uma coisa que tenho tentado internalizar é que, para mim, produzir arte é um hobby. E ninguém precisa ser excelente (nem bom, nem mediano) nos seus hobbies. Não é como se fosse um trabalho, onde você tem que performar capacidade e produtividade. É só um passatempo, uma atividade que eu faço porque quero fazer e ponto. 

Não precisa ter um propósito.
Não precisa ser útil.
Não precisa ter qualidade.
Só precisa... ser.

Por isso decidi jogar as minhas colagens aqui e deixar rolar (mas espero que você goste) (mas se não gostar, não tem problema) (mas não me fala que não gostou, porque minha autoestima não é lá essas coisas).





Não precisa ter um propósito.
Não precisa ser útil.
Não precisa ter qualidade.
Só precisa... ser.

heptâmetro de quintiliano

créditos da imagem
Heptâmetro de Quintiliano é uma ferramenta investigativa e pericial baseada em sete perguntas fundamentais ("o quê?", "quem?", "onde?", "quando?", "como?", "por quê?", "com que auxílio?") que devem ser respondidas para elucidar completamente um fato, especialmente em contextos criminais, jurídicos e de perícia, garantindo uma análise minuciosa e circunstanciada de qualquer ocorrência.

Aprendi esse termo nos stories do perito Ricardo Salada. Aparentemente ele e a Telma Rocha (que é fotógrafa pericial) falaram sobre isso em um podcast, mas o stories não especificou qual. Eu poderia procurar o episódio? Poderia, mas eles já foram em mil podcasts com duas horas de duração cada e sempre repetem as mesmas histórias sobre os mesmos casos. Não vai rolar.

10 livros para me conhecer

Esse post foi inspirado naquela trend "se você leu 5 desses 10 livros, acho que devíamos ser amigas" que rola no TikTok. Os livros não estão em nenhuma ordem específica.

créditos da imagem

Meio pau no cu ser fã de clássico, né? "Mas é claro que você gosta de clássico. É um clássico, então é obvio que é bom". Ao meu ver, não é bem o caso. Um livro pode virar clássico por vários motivos: ser bem escrito, dizer muito em poucas palavras, transmitir ideias de forma clara, prever o futuro, etc. Admirável Mundo Novo alcança várias dessas qualidades. Pelo que pude reparar, cada um entende esse livro de um jeito. Alguns focam na organização da sociedade e do trabalho, outros nas diferenças sociais, outros na linguagem, outros na biomedicina, etc. Só digo uma coisa: leiam. Se Steve Harris escreveu uma música sobre esse livro (e ainda batizou um álbum com o título dele) é porque o livro vale a pena.

Você compra um livro com esse título e imagina que é uma autoajuda, não é? Depois de descobrir que se trata de uma história de ficção, você pensa que o livro vai focar numa personagem principal que sente ansiedade e está tentando lidar com isso. Talvez seja isso mesmo. Mas o grande trunfo dessa história é que você nunca sabe o que vai vir em seguida. A história me lembra aquele tweet sobre a Tati Bernardi e a psicanálise: algo entre o tédio e a tragédia está prestes a acontecer. Precisei parar de ler para rir e precisei parei de ler para chorar. Recomendo demais.

Minha vida nunca mais foi a mesma depois que ouvi Billie Joe cantar "I am a son of a bitch and Edgar Allan Poe". Histórias Extraordinárias foi um marco na literatura. Nesse livro temos o primeiro psicólogo forense da história (de acordo com John Douglas), todo o folclore construído em torno dos gatos pretos e corvos, o emparedamento como método de assassinato & ocultação de cadáver e o conceito de "5 minutos no soco sem perder a amizade, mas se você morrer é problema seu" (que deu origem à franquia The Purge). Gosta de romance policial? É fã do Sherlock Holmes ou do Hercule Poirot? Agradeça ao mestre do horror Edgar Allan Poe por arar esse terreno. [obs: a maioria dos contos que compõe o livro estão disponíveis em e-books gratuitos na Amazon

Começa como um diário de uma garota que está prestes a dar uma palestra numa formatura e termina com a maior reflexão feminista da história da literatura feminina. Você nem percebe a mudança até que a Virginia (a autora, não a divulgadora de tigrinho) esteja esfregando fatos na sua cara. Uma leitura obrigatória para todas as mulheres - e, se eu tivesse um namorado ou marido, mandaria ele ler também. 

Escrevi sobre essa leitura na primeira edição de uma newsletter que abandonei (e abandonei logo na primeira edição mesmo, como me é de costume). Talvez eu devesse trazer o texto para cá, pelo menos para salvar como recordação. Enquanto não faço isso, fica aí um trecho que traduz bem a forma como me senti lendo esse livro.
No relato dela, reconheci meu desconforto: a sensação de não pertencer, de não ter as roupas certas, de não saber se comportar e de sentir vergonha de si mesma o tempo todo. “Era a primeira vez que convivíamos de perto, durante dez dias, com desconhecidos que eram todos, com exceção dos motoristas de ônibus, melhores que nós”, ela escreve.

Você pode até saber que uma boate pegou fogo no Rio Grande do Sul e que muita gente morreu, mas isso é diferente de saber que os fiéis da igreja Quadrangular disseram para o Sr. César e para a Dona Cida que o filho dos dois, Augusto, morreu asfixiado por uma fumaça tóxica porque eles desrespeitaram a vontade de Deus ao adotarem o menino. Daniela Arbex faz um trabalho fenomenal ao retratar a historicidade brasileira e não nos deixar esquecer que não se trata só de uma fatalidade, mas da vida de uma série de pessoas que são amada por alguém. Recomendo a leitura de todos os livros dela.

Gillian Flynn é minha escritora de romance policial preferida e é uma pena que ela só tenha três romances e um conto publicados (o trabalho oficial dela é ser roteirista de séries, ou algo assim). Amo e recomendo todos os romances, mas nesse post vou indicar Objetos Cortantes porque me identifiquei muito com as dores da protagonista - que é interpretada pela Amy Adams na minissérie Sharp Objects, que foi inspirada no livro e lançada em 2018 pela HBO.

Outra protagonista que poderia facilmente ser eu: uma psique danificada pela área acadêmica, uma vida desprovida de propósitos claros e um senso de humor ácido e facilmente cancelável. E, vamos combinar? Um livro que revela o final da trama no título e com tanta riqueza de detalhes só pode ser bom. Paula Gomes sabia muito bem que tinha canetado quando publicou esse e-book. Se você leu "A pediatra" e gostou, vai gostar desse também. (Aproveita que todos os livros da Paula estão disponíveis no Kindle Unlimited. Todos são ótimos.)

Esse livro pertence a uma categoria que estava em alta a pouco tempo: a dos livros em que "nada acontece, feijoada". São quase 500 páginas sobre uma menina que vai para a faculdade. E é isso. Não tem reviravolta mirabolante, nem mistério a ser resolvido e até o relacionamento romântico dela é meio qualquer coisa. Mas é o tipo de livro que faz você olhar para o mundo de um jeito mais reflexivo. É como se o livro te ensinasse a ter visão artística, enxergar as coisas com mais magia, para além do estado material. Uma doideira. Enquanto lia, fiquei me sentindo a  Patti Smith nos anos 70. Infelizmente a sensação não durou, mas foi uma experiência legal.

Recentemente descrevi esse livro como um "manual de como tratar uma mulher que foi criada para passar pela vida sem fazer barulho, sem incomodar, sem demandar nada pra ninguém, apenas existir - como uma decoração legal, mas discreta, para não chamar muita atenção. Uma plantinha que não precisa ser regada" e ele é exatamente isso. Desejo que toda mulher emocionalmente quebrada encontre seu Jack Smith (ou melhor: que se cure sem precisar dele, que é o ideal).
Você pode comprar os livros na Amazon clicando no título. Se você fizer isso eu ganho uma comissão (aka tiro uns centavos do véio bilionário careca).